Em um país com uma proporção tão elevada de jovens, maior é a responsabilidade de todos nós na educação e evangelização destes, no preparo deles para a vida. Em uma casa Espírita, seja ela um Centro, seja nosso lar familiar, mais fundamental ainda torna-se esta tarefa educativa, principalmente no que tange à educação moral, com base nos ensinos de nosso Divino Mestre Jesus.

Quem chegar à Congregação aos sábados à tarde verá um intenso movimento de rostos alegres e juvenis. O sorriso e a alegria dos jovens dão a tônica do ambiente que toma conta de nossa sede nestes dias. São as reuniões da Mocidade Espírita Francisco de Paula, em que mais de uma centena de jovens se congrega, em diferentes ciclos, para o estudo sistemático da Doutrina Espírita e para a prática da Caridade.

Porém, nada surge de repente, como um passe de mágica. Todas as realizações são o fruto de muitos trabalhadores dedicados que, partindo de um ideal, se lançam à tarefa, por vezes tão difícil, de desbravar o solo árido e inculto para semear os primeiros grãos que, um dia, se transformarão em colheita farta. Assim, se hoje viceja a Mocidade, é importante recordarmos sua história, seu nascimento e seu desenvolvimento, para aprendermos com as pedras e obstáculos um dia removidos.

Foi o I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, realizado de 18 a 25 de julho de 1948 no Rio de Janeiro, então capital da República, que motivou a criação da Mocidade, em 27 de junho deste mesmo ano. Em uma tarde festiva, tanto em nosso plano como, com certeza, no plano espiritual, iniciaram-se os trabalhos desta nova semente, contando tambem com a presença de jovens de outras Mocidades trazendo incentivo e alegria.

Os trabalhos da Mocidade iniciaram-se com 18 jovens, sob direção de nosso irmão Miguel Nery Lobato, e orientada por José Alves de Oliveira. Aqueles jovens, pequenos em número mas profundamente irmanados pelos ideais espíritas, tinham não somente o objetivo imediato de participar do Congresso, mas também o ideal maior de levar a evangelização e o Espiritismo aos jovens frequentadores da Casa.

A Mocidade cresceu, e em 1950 já figurava entre as maiores do bairro. Porém, as ideias inovadoras nem sempre encontram pronto o solo para frutificarem. Não foi diferente com a recém-criada Mocidade e, por motivos diversos, suas atividades foram paralisadas neste ano. Porém, quando a semente é boa, o Divino Cultivador a faz germinar no momento mais propício. E foi assim que, em 1963, quando a Casa encontrava-se sob a direção espiritual de nosso irmão Casemiro de Lima Barboza, iniciou-se uma série de reuniões com o objetivo de retomar os trabalhos de nossa Mocidade. Tais reuniões se estenderam por dois anos, até que em 31 de julho de 1965 a Mocidade reiniciou suas atividades, com uma nova estruturação e um novo Estatuto, instrumentos adequados à sua liberdade e crescimento. Em 15 de agosto seguinte, os próprios jovens elegeram a primeira direção da Mocidade, em processo democrático que até hoje se repete, sendo eleito o irmão Luiz Carlos Ferreira.

De lá para cá, como fruto do trabalho dedicado e anônimo de todos os seus participantes e sob a amorosa orientação de Francisco de Paula, a Mocidade tem crescido. Além disso, muitos dos que receberam suas primeiras luzes doutrinárias em suas reuniões de sábado encontram-se hoje espalhados pela seara, alguns em nossa própria casa, outros não, mas sempre trabalhando em prol da caridade e do Espiritismo.

Hoje, como já dissemos, mais de uma centena de jovens espíritas continuam a escrever esta história com seu trabalho, seu estudo e sua presença. E, com as graças de Deus, Jesus e Francisco de Paula, nossa Mocidade continuará a ser sempre esta fonte de luz e de refrigério para os que a procuram!