A escola de evangelização Irmã Tereza já estava, indiscutivelmente, programada na espiritualidade, como vamos perceber mais adiante. Este é um trabalho que assiste, atualmente, a cerca de 120 pessoas, além de centenas de desencarnados que vêm a Congregação, as quintas-feiras alternadas, para aprender um pouco dos ensinamentos do Cristo de uma forma fácil, ou seja, na mesma linguagem que as crianças alcançam.

Tudo começou na Caravana Irmã Scheila (outro trabalho da casa), onde amigos da Congregação Espírita Francisco de Paula se reuniam de madrugada para distribuir alimentos, roupas e mantimentos, além de dar uma palavra amiga a algumas pessoas que residiam na Praça da Bandeira.

Em 1984, o grupo encontrou duas senhoras que moravam em Saracuruna. Essas duas mães falaram para outras, que começaram a freqüentar a Praça da Bandeira no dia da Caravana para também pegar os mantimentos. Com o aumento de mães e crianças, o grupo levava lápis, papel e outros materiais para evangelizá-las. Em 1985, o número de mães e crianças já era contabilizado em 12 e 20, respectivamente.

Como o atendimento era feito em plena Praça, essas mães passaram, então, a dormir ao relento, já que o trabalho era feito de madrugada. Formava-se o embrião da escola Irmã Tereza, pois os Evangelizadores já ensina- vam no meio da Praça.

No fim do ano de 1985, as crianças tiveram uma festa de Natal com montagem de presépio, histórias de natal e uma refeição condizente com a data. Deste Natal em diante surgiu a idéia de levá-las para a Congregação. Isso foi feito inicialmente aos sábados, na Escola de Evangelização Maria de Nazareth. Porém, por motivos diversos, a iniciativa se mostrou infrutífera.

Em fevereiro de 1986 houve uma reunião de avaliação da Caravana, onde uma vidente viu uma freira, em vidência espontânea. Na vidência a freira se apresentou como Irmã Teresa e disse que tomaria conta dos trabalhos. Quando isto aconteceu, o assunto abordado na reunião era como levar as crianças de Saracuruna para a Congregação. Na espiritualidade já estava tudo resolvido, só faltava encontrar o dia apropriado, que acabou sendo quinta-feira, porque não havia trabalho na casa naquele dia.

Em junho de 1986, as crianças e as mães de Saracuruna começaram a freqüentar a Congregação Espírita Francisco de Paula, de onde levavam uma sacola com mantimentos da cesta básica. Como essas crianças não sabiam ler e escrever, não estavam acostumadas a ambientes fechados e muito menos a obedecer, foi difícil controlá-las, inicialmente.

Esse foi um grande problema, pois o pessoal do Teatro reclamava constantemente do barulho. Porém, a medida que o tempo passava o ambiente ia se acalmando. Passado mais algum tempo, o quadro de comportamento se modificou, para melhor, muito melhor.

A proposta inicial de evangelização era a de conhecer as crianças, seus hábitos e costumes. A primeira preocupação foi a de fazer uma programação que atingisse as crianças com rapidez e eficiência, por isso o básico consistia em ensinar a higiene e saúde, pois estas noções quase não existiam entre aquelas pessoas. Depois disso o programa se baseava na vivência evangélica.

A Escola de Evangelização Irmã Tereza, que começou com pouco mais de 10 crianças ainda na Praça da bandeira, assiste hoje em dia a cerca de 80 crianças e 30 mães. O trabalho assistencial, além das cestas básicas, dá também no dia das crianças e no Natal, roupas e brinquedos doados pelos freqüentadores e médiuns da Casa. Tudo isso atrai as crianças que os “tios” aproveitam para evangelizar.

O progresso foi nítido, tanto que no comportamento das crianças de saracuruna, que freqüentam ou que freqüentaram, já se verifica no coração uma pequena semente dos ensinamentos Cristãos. E isto está comprovado, pois a partir de 1983, houve a necessidade da criação de uma turma para atender aos alunos que já haviam atingido a idade limite (13 anos) e que não poderiam mais freqüentar a Escola.

Ao final do 1º semestre a freqüência na turma dos adolescentes era muito boa, pois além da permanência dos que seriam excluídos surgiram ex-alunos e outros jovens por eles trazidos, atraídos pela temática totalmente apropriada à sua realidade. São abordados assuntos como família, sexo, drogas, namoro, casamento, etc, de uma forma bastante séria, aberta e sempre baseada no Evangelho, ensinando ou relembrando as noções do Cristo.

Hoje o perfil dos evangelizados mudou, não atendemos mais apenas famílias de Saracuruna, mas de vários pontos da cidade, como Acari, Costa Barros, Itaboraí, Caxas e Rio das Pedras.